• Leila Krüger

Mais qualidade de vida no isolamento


Artigo publicado no Jornal HoraH horahdigital.com


Desde a Gripe Espanhola, ou Gripe de 1918, no pós-guerra, não enfrentávamos uma pandemia de tamanha devastação global. O mais grave é que, segundo relatos, os Estados Unidos esconderam a doença, prevalente em sua população (recebeu o nome de “Espanhola” porque esse país anunciou a moléstia publicamente), para que seu exército não parecesse enfraquecido, em um mundo instável após a I Guerra Mundial.


Quando divulgada, a doença já estava espalhada, especialmente na Europa: as consequências, dizem, são cerca de 100 milhões de mortos. Tratava-se de uma versão mais agressiva do vírus influenza, que provoca a H1N1, entre outras gripes.


Quer dizer, há mais de um século não vivenciamos nada parecido: houve epidemias de Gripe do Frango, Gripe Suína, H1N1, HIV, até mesmo da tuberculose nos séculos XVIII e XIX, notadamente. Nada tão mundialmente devastador como o coronavírus – não em termos de perdas de vidas, mas em pânico populacional e econômico.


Nesta onda de isolamento social – nem sempre cumprido como deveria ser, ainda mais às portas do inverno no Brasil, que trará uma gama de doenças respiratórias oportunistas – as pessoas estão adoecendo: não apenas de “corona”, ou Sars covid-19, mas de doenças psíquicas e físicas, a maioria delas advindas exatamente desse isolamento social, desse momento de instabilidade emocional, da distância afetiva – física, ao menos – e da crise existencial.


Fomos obrigados a parar.


O vírus acabou com a louca correria dos nossos dias, de repente. Essa Modernidade Líquida que não para de nos fazer “jorrar”, que exige multitarefas, trabalho exaustivo, grande exposição pessoal, fugacidade, rapidez. Pois, agora, fomos obrigados a parar. E a parar, ainda, de pensar apenas em dinheiro, em trabalho, em coisas que importam, mas que, por hora, estamos total ou parcialmente impedidos de conseguir.


É hora de pensar no corpore sano in mens sana, corpo são em mente sã, ao contrário da máxima antiga. São outros tempos. Os problemas psiquiátricos se multiplicam, muitas vezes deixamos de ter tempo para nós mesmos e para aqueles a quem amamos, e para admirar o céu, os pássaros, ler desenhos nas nuvens: não passa de um desperdício de tempo. Só as redes sociais é que importam, se não for documentado, registrado, exposto, não foi vivido.


Bem, queremos apresentar algumas dicas para manter nossa mente – que aprendeu a ser hiperativa nos tempos atuais – o mais sã possível na pandemia, não apenas externa, mas interna: cada um reage a seu modo, é mais resiliente ou menos resiliente, mas podemos adotar algumas medidas dentro de nossos “castelos”, casas, para aumentar nossa qualidade de vida e, consequentemente, nossa mente sã que favorece um corpo são, e um corpo são que auxilia a ter uma mente sã.


Aconselhamos você a praticar exercícios físicos, localizados ou aeróbicos: você encontra vários vídeos no YouTube e artigos em blogs sobre o assunto: estipule um tempo diário.

Outra coisa: alimentação, ela é uma das maiores responsáveis por nossa saúde: cuide para não descarregar a solidão na comida, ou na bebida. Escolha bem seus alimentos (dica: chocolate com alto teor de cacau é ótimo para matar a vontade de comer doces, e ainda contém antioxidantes, eles fazem bem à saúde). Ah! Sempre que puder, peça delivery, ou seja, entrega em casa, para não ter que se deslocar a locais de aglomeração comerciais, em especial se for idoso ou tiver problemas de saúde.


O que mais? Manter uma rotina é importante, para alimentação e outras atividades, organiza nosso tempo e nossa mente.


São tempos de ansiedade, de andar na corda bamba. Você sabia que em São Paulo se noticia que o número de infartos, nos últimos dias, aumentou oito vezes? Então, cuide da sua saúde mental. Exercícios ajudam, como dissemos, e a alimentação, mas, se for necessário, recorra a um atendimento médico especializado, mesmo que por telefone. Prefira alimentos que ajudem a sintetizar a serotonina, hormônio da felicidade, como os ricos em triptofano, aminoácidos encontrados na banana, na sardinha e no salmão, por exemplo.


E como fazer para lidar com idosos ou crianças? Pode ser estressante. Exerça sua paciência. Procure dicas de como entreter seus pequenos, de como dar assistência a seus pais ou avós, eles talvez nunca tenham precisado tanto de você. Um dia você precisou muito deles.

Por fim, o fator solar: tome sol! Estimula a absorção de vitamina D, que fortalece os ossos e o sistema imunológico. Mas, atenção: nada de exposição exagerada, sem filtro solar, em horários de sol forte.


No mais, mantenha-se informado sobre como ter uma boa qualidade de vida, não apenas durante o isolamento, mas em qualquer circunstância. Desenvolva atividades criativas, que lhe deem prazer (a mídia tem procurado entreter o público na TV e nas redes sociais), procure controlar sua agressividade, conecte-se com outras pessoas a distância, compreenda o momento difícil que estamos atravessando, compreenda-se. Momentos difíceis sempre ensinam quem tem disposição para aprender.


Xô, coronavírus! Mas você, pequeno invasor asiático, não irá embora sem antes nos ajudar a ser pessoas melhores, mais humanas e, mesmo afastadas, mais próximas.

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© 2019 by Leila Krüger.

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